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Dra. Vitória Del Sarto – Psiquiatria em Mogi das Cruzes – SP

A vida não é sempre como a gente imagina. Às vezes, ela  vira de cabeça para baixo. Uma demissão súbita, o término de um relacionamento, uma enfermidade na família, um esgotamento que se instala de maneira silenciosa… e, de repente, nos deparamos com uma crise que parece excessivamente grande para se encaixar em nossa rotina, nas convicções e na força que acreditávamos possuir.

As crises são uma parte intrínseca da experiência humana, mas isso não quer dizer que precisamos enfrentá-las sem apoio. Cada situação de ruptura, cada incômodo e cada mudança inesperada tem o potencial de se tornar um marco para uma vida mais plena, autêntica e harmoniosa. Contudo, para alcançar isso, é fundamental entender como respondemos às crises, quais estratégias de enfrentamento utilizamos e como procurar apoio quando a dor se torna insuportável.

Este texto foi elaborado com o intuito de te auxiliar na compreensão desses processos e, acima de tudo, para te evidenciar que, mesmo quando as dificuldades parecem insuperáveis, há um caminho viável a ser percorrido.

E, antes de entrarmos no conteúdo, deixo registrado quem está aqui do outro lado:

Eu sou a Dra. Vitória Del Sarto, médica psiquiatra graduada pela Faculdade de Medicina de Itajubá, com especialização em Psiquiatria pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e cursos adicionais em insônia, burnout, TDAH em adultos, saúde emocional das mulheres e manejo de crises. 

Atendo por telemedicina em um formato de consulta que é acolhedor, humanizado e focado na trajetória do paciente — afinal, saúde mental é, antes de tudo, um cuidado que é integral: físico, emocional, social e espiritual.

Vamos ao ponto crucial: como lidar com crises e convertê-las em verdadeiras oportunidades de crescimento?

O que nos faz sentir tanto abalos diante das crises?

Crises representam períodos de interrupção. Elas bagunçam tudo que estava organizado: projetos, hábitos, conexões e a própria identidade. Como seres humanos, somos biologicamente predispostos a buscar segurança e previsibilidade. Quando algo não corresponde ao que se espera, o cérebro o vê como uma ameaça.

Não se trata de exagero — é fisiologia:

 

    • A amígdala do cérebro ativa o sinal de perigo.

    • O organismo produz cortisol (o hormônio do estresse).

    • O raciocínio se torna mais inflexível e negativo.

    • A decisão é comprometida.

É por essa razão que, em momentos de crise, você pode:

 

    • experimentar emoções intensas, “grande demais”;

    • ter problemas para pensar claramente;

    • postergar;

    • ficar facilmente irritado;

 

    • experienciar uma profunda tristeza ou falta de emoção;

    • ter insônia;

    • perder o apetite ou descontar tudo na comida;

    • preferir o isolamento.

Isso não é um sinal de fraqueza. Isso indica que seu corpo está tentando enfrentar algo que considera excessivamente ameaçador.

As transformações e sua essência: por que encontramos resistência?

Até mesmo as mudanças que desejamos, como um novo emprego, uma mudança de cidade ou o início de um relacionamento positivo, podem gerar ansiedade. Isso se deve ao fato de que toda transformação requer:

 

    • reestruturação emocional;

    • ajuste cognitivo;

 

    • repartição da energia;

    • abertura para o novo.

E nós lutamos contra isso, pois a mudança é dolorosa. O crescimento causa dor. Crescer é doloroso.

É precisamente nessas ocasiões que desenvolvemos resiliência — não como um poder extraordinário, mas como a habilidade de prosseguir mesmo quando o caminho não está definido.

Três categorias de crises que todos enfrentamos

1. Crises que podem ser antecipadas

Elas são parte do processo natural da vida:

 

    • juventude;

    • saída da casa dos pais;

    • casamento;

 

    • maternidade/paternidade;

    • envelhecimento dos pais. 

Ainda que sejam previsíveis, podem abalar intensamente.

2. Crisis inesperadas

As ondas que surgem de repente:

 

    • separações;

 

    • lutos;

    • demissões

    • traumas

    • diagnósticos de doenças.

Elas desestabilizam simultaneamente o emocional, o físico e o espiritual.

3. Conflitos internos

As que permanecem invisíveis, mas nos devoram internamente:

 

    • exaustão;

 

    • ausência de propósito;

    • vazio existencial;

    • autocobrança excessiva;

    • necessidade de satisfazer;

    • autoestima baixa.

Frequentemente, essas crises são as mais discretas e ameaçadoras.

De que forma lidar com crises de forma saudável?

Aqui está um guia prático que elaborei, fundamentado em evidências clínicas e na minha vivência com pacientes de diversas idades e etapas da vida.

1. Acolha sua dor

Negar uma crise é manter o sofrimento por mais tempo.

Permita-se sentir: 

 

    • ira

    • tristeza

    • frustração

 

    • medo

    • insegurança

Não existe emoção “errada”. Existe apenas uma emoção que precisa ser reconhecida.

2. Reduza o ritmo

Em tempos de crise, o corpo clama por descanso.

Diminua: 

 

    • exigências e demandas;

 

    • expectativas;

    • cobranças;

    • comparações. 

Você não precisa resolver tudo neste momento. É essencial encontrar uma forma de sobreviver emocionalmente a essa fase.

3. Peça ajuda

Não se trata de fraqueza. Trata-se de maturidade.

Possíveis apoios:

 

    • família;

    • amigos;

    • espiritualidade;

    • psicoterapia;

    • psiquiatria.

Quando estamos em crise, a consulta com um psiquiatra pode ser crucial para reorganizar ideias, estabilizar sintomas, regular o sono, diminuir a ansiedade e evitar que a situação se agrave.

4. Desenvolva a aceitação

Concordar não é o mesmo que aceitar. Ao aceitar, você libera a energia que está utilizando para se opor ao que já ocorreu.

5. Reconstrução através do cotidiano

A estrutura emocional surge da rotina diária.

Inicie com calma:

 

    • ter um horário regular para dormir;

    • refeições regulares;

 

    • pequenos hábitos de cuidado pessoal;

    • pequenas pausas ao longo do dia

A rotina salva. Mesmo em meio ao caos.

6. Recupere o sentido de propósito

Transformações profundas nos desafiam a definir quem somos. É fundamental redescobrir o significado.

Questione-se:

O que é realmente significativo?

Qual o meu destino a partir de agora?

Que atitude posso mudar hoje?

Frequentemente, essa fase é acompanhada por profissionais, pois é crucial observar sem emitir julgamentos.

7. Reescreva a história

Você não tem controle sobre os acontecimentos, mas pode escolher o significado que atribui a eles.

Converter a dor em aprendizado é um dos fundamentos da saúde mental.

Como identificar se você está lidando com a crise sozinho há tempo demais?

Há indícios evidentes de que a dor excedeu o que se pode suportar sem ajuda profissional:

 

    • insônia crônica;

    • crises de ansiedade;

 

    • mente acelerada;

    • sentir-se “travado”;

    • choro frequente;

    • desinteresse geral;

    • problemas para trabalhar;

 

    • irritação persistente;

    • cansaço extremo;

    • ruminações negativas

Se você se reconhece em dois ou mais desses sinais, é muito importante procurar ajuda.

Como a psiquiatria pode te ajudar em crises

A psiquiatria vai além dos transtornos bem definidos. Ela também disponibiliza assistência para:

 

    • crises afetivas;

    • mudanças de vida;

    • grandes perdas;

    • exaustão e esgotamento;

 

    • redefinição de identidade

    • traumas;

    • reestruturação mental e emocional.

É comum que muitos pacientes pensem que o psiquiatra só trata “casos graves”, mas, na realidade, uma intervenção precoce pode transformar totalmente o resultado de uma crise.

No meu trabalho, disponibilizo:

 

    • Consulta online acolhedora e focada

Sem pressa, sem críticas. A prioridade é compreender a realidade em que o paciente vive.

 

    •  Escuta atenta e profunda

Cada narrativa é significativa. Cada informação contribui para o plano de tratamento.

 

    • Tratamento personalizado

Sem nada rígido. Cada paciente possui seu próprio caminho.

 

    • Gestão integrada

Levando em conta o corpo, a mente, o dia a dia, a espiritualidade, o propósito, as conexões sociais e o estilo de vida.

É essa mescla de técnica e acolhimento que muitos pacientes procuram, mas nem sempre conseguem encontrar.

Começar de novo é viável, mesmo quando parece que já é tarde demais

Conflitos frequentemente surgem para nos tirar de situações nas quais já não deveríamos estar. Elas sinalizam:

 

    • “algo precisa mudar”;

 

    • “você não precisa fazer isso sozinho”;

    • “seu corpo está pedindo ajuda”;

    • “é hora de olhar para você com honestidade e cuidado”;

Depois do tumulto, sempre há espaço para reestruturação.

A questão que se coloca é: você deve dar o primeiro passo.

Quando perceber que é hora de procurar um profissional

Se você chegou até aqui, é possível que esteja passando por um período de dor, confusão ou cansaço. Ou talvez você esteja se dando conta de que suas velhas estratégias de enfrentamento não conseguem mais suportar o peso emocional que você carrega.

Acolha essa percepção.

Permita-se pedir ajuda.

Se você sentir que posso acompanhá-lo nesse processo, será um prazer recebê-lo na consulta.

Concluindo: você não precisa enfrentar isso sozinho

Crises e transformações são parte da vida, mas não precisam comprometer sua saúde mental. Com o devido suporte, acolhimento e acompanhamento, elas têm o potencial de ser — e muitas vezes se tornam — o início de uma versão mais forte, mais consciente e mais completa de si mesmo(a).

Se você se identificou com o que foi dito, pense em procurar apoio. Estou aqui para te apoiar nesse momento com segurança, respeito e cuidado verdadeiro.

Estarei com você sempre que precisar, para reconstituir, passo a passo, uma vida emocionalmente mais leve e equilibrada.

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